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Como o Morgan Stanley transformou o IPO da SpaceX em uma máquina de fazer dinheiro

Quando uma empresa como a SpaceX abre seu capital, a maioria das pessoas foca no evento de destaque: uma avaliação de mercado gigantesca, o código de negociação na bolsa, etc. O que não recebe tanta atenção é o que acontece nos bastidores para o banco que conduz a operação — e é justamente aí que reside o verdadeiro retorno a longo prazo.
O Morgan Stanley foi um dos principais bancos na oferta pública inicial (IPO) da SpaceX este ano — o maior IPO da história, avaliando a empresa em mais de um trilhão de dólares. Pela condução do negócio, o Morgan Stanley recebeu US$ 100 milhões em taxas. É uma bela remuneração pontual. Mas não é só isso.
O ganho maior veio da gestão das ações que os funcionários da SpaceX passaram a deter. Quando uma empresa abre o capital, seus funcionários geralmente ficam com uma grande quantidade de ações, e alguém precisa gerenciar tudo isso, orientando-os sobre quando podem vender, como lidar com os impostos incidentes e o planejamento financeiro geral decorrente de, de repente, possuir um grande volume de ações valiosas. O Morgan Stanley já realiza esse tipo de trabalho para muitas empresas por meio de um negócio adquirido em 2019; após IPOs como o da SpaceX, todas essas ações dos funcionários transformam-se, na prática, em novos recursos de clientes que fluem para a divisão de gestão de patrimônio (*wealth management*) do banco.
No segundo trimestre deste ano, o Morgan Stanley captou mais de US$ 74 bilhões em novos ativos de clientes vinculados a IPOs como o da SpaceX, o que impulsionou a receita da divisão de gestão de patrimônio para US$ 8,9 bilhões no trimestre. Mais da metade dos US$ 148 bilhões em novos recursos de clientes captados pelo banco no período veio especificamente de IPOs, incluindo o da SpaceX e o da fabricante de chips de IA Cerebras Systems.
Uma vez que esse dinheiro chega ao banco, ele permanece lá e continua gerando taxas ano após ano. Além disso, há uma longa fila de IPOs previstos de outros clientes corporativos; portanto, resultados como esse continuarão ocorrendo enquanto os mercados permanecerem abertos para novas listagens.
Tudo isso se encaixa em um cenário mais amplo que ocorre atualmente em Wall Street: os bancos não estão lucrando com o *boom* da IA apenas ao emprestar dinheiro para empresas de tecnologia ou negociar suas ações; eles também estão capitalizando o fato de que os investimentos em IA estão criando uma enorme quantidade de novos milionários entre funcionários e investidores iniciais — e alguém precisa gerenciar toda essa nova riqueza. Segundo relatos, a OpenAI e a Anthropic estão cogitando abrir seu capital futuramente, o que significaria ganhos semelhantes para os bancos que conduzissem essas operações.
Vale destacar também a razão pela qual o Morgan Stanley investiu nessa área inicialmente. Após a crise financeira de 2008 quase levar o banco à ruína, a instituição decidiu apostar mais fortemente na gestão de patrimônio — uma estratégia que deu certo: o banco ultrapassou recentemente a marca de US$ 10 trilhões em ativos totais de clientes, sendo que a maior parte desse montante está alocada justamente na gestão de patrimônio. Mesmo no início da década de 2020, quando o mercado de IPOs esfriou e as empresas pararam de abrir capital, a divisão de gestão de patrimônio do banco continuou apresentando bom desempenho.
Conclusão - o IPO da SpaceX serviu como uma prévia de como os bancos de Wall Street estão lucrando com a onda de riqueza gerada pela IA.







